Acessibilidade
Tudo começou com minha interação com o time de QA de acessibilidade do projeto em que eu estava atuando. No início, era feito os testes de: contraste, leitura, padronização dos componentes, entre outros testes que o time executava com maestria. No entanto, sempre tive um interesse profundo em conhecer mais sobre acessibilidade. Enquanto acompanhava o trabalho do time de QA, comecei a me perguntar: será que poderíamos fazer algo além dos testes tradicionais? Poderíamos garantir uma experiência inclusiva desde o início, e não apenas depois do desenvolvimento? Foi aí que tive a ideia de realizar testes de usabilidade com protótipos navegáveis antes de qualquer linha de código ser escrita. Essa abordagem permitiria identificar pontos de melhoria e potencializar a experiência do usuário logo nas fases iniciais do projeto. Com esses testes, poderíamos coletar informações valiosas para a tomada de decisões, garantindo que a acessibilidade fosse uma prioridade desde o começo. Assim, estaríamos não apenas cumprindo os requisitos, mas também criando soluções verdadeiramente inclusivas, que considerassem as necessidades de todos os usuários. Esse insight transformou minha maneira de ver os processos de desenvolvimento e me motivou a explorar ainda mais as possibilidades dentro da acessibilidade digital.
Data
Abril 2023
Papel
Teste de Usabilidade, Acessibilidade, Protótipo
O desafio
Desenvolver um protótipo navegável para ser usado em testes de usabilidade com pessoas cegas, mantendo o custo zero, desenvolvimento rápido e simplicidade de uso. A missão era ambiciosa, mas eu e a equipe estavamos determinados a torná-lo uma realidade.
O processo de recrutamento
Para garantir que os testes de usabilidade sejam conduzidos de maneira ética e eficiente, segui um processo minimamente estruturado. Este processo envolveu três etapas: consulta jurídica, verificação de viabilidade de recrutamento interno e criação de um formulário de interesse.
Etapa 1: Consulta com o Time Jurídico
O primeiro passo foi entrar em contato com o time jurídico para entender melhor as implicações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e verificar se seria viável realizar o teste de usabilidade. O papo me fez conhecer pontos importantes sobre consentimento informado, armazenamento seguro de dados pessoais e a necessidade de transparência com os participantes. Isso foi muito importante para garantir que o processo fosse conduzido de acordo com as normas legais e éticas.
Etapa 2: Verificação com Gestão de Pessoas
Em sguida fui falar com a equipe de gestão de pessoas, o objetivo era verificar a possibilidade de realizar um recrutamento interno, verificou-se que seria viável recrutar funcionários interessados em participar, desde que fossem respeitadas as diretrizes de confidencialidade e voluntariado.
Etapa 3: Criação do Formulário de Interesse
O formulário incluía uma explicação detalhada sobre o teste de usabilidade, seus objetivos, e como os dados dos participantes seriam utilizados e protegidos. Além disso, o formulário solicitava informações básicas dos interessados e sua disponibilidade para participar dos testes. O formulário foi enviado internamente através de uma chave de e-mails, garantindo que todos os funcionários tivessem a oportunidade de se inscrever de forma voluntária e consciente.
Estas etapas não só garantiu conformidade com a LGPD, mas também promoveu transparência e inclusão entre os colavoradores, assegurando que todos os participantes estivessem bem informados e confortáveis com sua participação.
Foi de extrema importância a colaboração entre diferentes departamentos para alcançar os resultados.
O Roteiro
Durante a fase de recrutamento e criação do protótipo, foi importante criar um roteiro detalhado para a condução dos testes de usabilidade. Para garantir a consistência e a qualidade, utilizei como base os modelos estabelecidos pela empresa, que forneciam diretrizes claras e precisas para o processo.
A primeira etapa envolveu a descrição detalhada de como seria feita a mediação do teste. Isso incluía orientações sobre como interagir com os participantes, garantindo que se sentissem à vontade e compreendessem claramente as instruções fornecidas.
Depois de definir a mediação, elaborei uma lista de hipóteses que os participantes poderiam executar durante o teste. Essas tarefas foram selecionadas para cobrir os aspectos mais críticos da usabilidade do produto. A ideia era observar como os usuários reais interagiam com as funcionalidades principais, identificando quaisquer dificuldades ou pontos de confusão.
A solução
Agora era a hora de pensar em como o protótipo poderia ser usado no teste de usabilidade. As ferramentas de prototipação usadas naquele momento não tornavam a navegação acessível. Iniciei uma pesquisa para descobrir algum software que suprisse essa necessidade, encontrei algumas opções de plataformas no-code ou low-code, mas percebi que, naquele momento, elas não poderiam ser utilizadas por várias razões: não eram homologadas pela empresa, tinham um custo adicional e possuíam uma curva de aprendizado que exigiria mais tempo do que eu tinha disponível.
Deixando de lado algumas metodologias prontas, canvas super conhecidos. Decidi combinar dois conceitos para tentar criar uma solução:
Especificações de Acessibilidade: São usadas com base nas diretrizes da WCAG, onde se especifica cada componente para garantir o desenvolvimento acessível.
Protótipo Textual Expositivo-Explicativo: Utilizando uma abordagem de desenvolvimento descritivo, onde fatos e elementos de informação são expostos, definidos, enumerados e explicados de forma clara.
A Combinação dos Conceitos
O objetivo era criar uma representação detalhada e acessível do fluxo de navegação e interação do usuário com a interface. Cada etapa do processo foi descrita com detalhes, desde a apresentação inicial até as interações específicas que um usuário realizaria.
Estrutura do Protótipo Textual
Cada seção do documento apresentava uma parte da interface, com descrições detalhadas dos componentes, suas funcionalidades e como eles seriam utilizados. Para garantir a acessibilidade, segui as especificações estabelecidas, como a descrição clara dos elementos, a ordem lógica de navegação e as instruções precisas para interação com leitores de tela.
Ferramentas usadas
Figma - Protótipo visual e o prototipo textual
Word - Para o roteiro
Teams - Para vídeo chamada e leitor de texto





